Como me tornei um “caça-promoções” – e porque hoje as evito

Costumas aproveitar as promoções gordas? Talvez não sejam tão benéficas para ti como isso. Aqui podes encontrar algumas dicas que te vão ajudar a poupar dinheiro...evitando as promoções.

Pexels Artem Beliaikin Scaled

Como muitos de vocês, quando o orçamento começou a apertar cá em casa comecei a olhar mais para as promoções. Numa fase inicial, achava que estava a fazer uma grande coisa, afinal de contas para quê comprar um produto pelo preço original quando o posso comprar em desconto?

Porém, as coisas não são assim tão triviais. Lembrem-se: não há almoços grátis. Se os supermercados fazem promoções, fazem-no com o propósito de atrair o comprador para a venda. É lucrativo no longo prazo, porque a promoção dá-nos a sensação de urgência (compra agora ou vais pagar mais), e muitas vezes acabamos por comprar a mais ou comprar o que não precisamos, subvertendo aquela que seria a real vantagem de comprar em desconto.

O sentimento de urgência

Para mim, este é o principal ponto onde devem ter cuidado. Se uma promoção indica um sentimento de urgência demasiado elevado (tem de ser HOJE, tem de gastar AMANHÃ, etc), tens de ter muito cuidado. Se fores HOJE tirar partido daquela promoção, será que não tens de comprar coisas que não irias comprar só para ativar a promoção? Será que não tens de fazer uma viagem extra, gastando esse dinheiro em combustível?

O que te recomendo é que invertas sempre o raciocínio: se um produto custa 5€ e custava 10€, tu não poupaste 5€: tu gastaste 5€. Isto é ainda mais relevante se não o planeavas comprar de todo. São 5€ que deixaste de ter mas que terias se ele não tivesse em promoção.

Grandes percentagens de desconto =/= Grandes preços

Não te iludas com os 60% de desconto no detergente Skip. Olha, isso sim, para o preço. Eu tenho reparado que em muitas pequenas superfícies, produtos como o Skip líquido encontram-se ao mesmo preço – ou até mais baixo – em relação a superfícies como o Continente e o Pingo Doce, e no entanto nestas o produto aparece com 60% de desconto.

Algo que gosto de fazer é consultar faturas antigas – no meu caso ajuda o facto de fazer compras online, posso sempre ir ao email. Se não as tens, não tem mal. O exercício que te recomendo fazer é olhar para o preço de todos os produtos da mesma gama, e fazer um ponderação lógica: vale a pena comprar o A+ por 9,99€ sem desconto ou o Skip por 11,99€ com 60% de desconto (assumindo que ambos tem a mesma quantidade de detergente)?

Olha sempre para o preço. Sempre. É esse que te vai pesar na carteira, não aquele número gordo com o símbolo da percentagem à frente.

As famigeradas “ilhas” à entrada da loja – ou os banners online

Como disse atrás, isto já não é um problema para mim porque raramente vou às lojas físicas.

Hmm, tens a certeza Micael? És assim tão esperto para fintar as ilhas às entradas das lojas, mas clicas nas promoções em destaque no site? Pois…

Esta voz que falou sabe-se de lá onde tem toda a razão. Tem cuidado com as ilhas à entrada, mas também tem cuidado com os banners publicitários quando fazes compras online. Ambos servem o mesmo propósito: promover. E promover é diferente de te servir. Não sejas servido por nenhum dos dois.

Tudo o que está nas ilhas (e também nos banners online) também está na secção correta da loja. Não compres nas ilhas, vai à secção e compara os preços com outros produtos similares. Não faz sentido te cingires a uma opção quando podes optar por fazer uma escolha ponderada olhando para várias opções.

Os selos

Eu aqui vou ser rápido: precisas de gastar mais 20€ nas compras para completares a caderneta de selos? Tudo bem, mas antes de o fazer faz três questões a ti próprio:

  1. Quanto custa aquilo que vais ganhar com os selos?
  2. Precisas mesmo do produto que vais ganhar nos selos, ou é algo que nem tinhas planeado comprar antes dos selos aparecerem?
  3. Tens de gastar esses 20€ agora ou ainda tens tempo para completar a caderneta?

A não ser que: 1) custe mais de 20€, 2) ias comprar aquilo de qualquer das formas, e 3) tens de gastar agora, não faz sentido completares a caderneta. E mesmo neste caso, pondera bem como vais gastar os 20€. Compra produtos que sabes que vais precisar mais cedo ou mais tarde, senão corres o risco de minimizar a vantagem de ganhar aquele produto.

Evita a fome. A sério

Já li isto não sei quantas vezes, e inicialmente achava ridículo. Mas admitamos: quando temos fome fazemos coisas estúpidas, ou, vá, irracionais. E se tens fome num supermercado, essa irracionalidade tem um preço atrelado. Aqueles croissants quentinhos a sair na pastelaria, aquele pacotão de Ruffles que já não comes desde mil novecentos e carqueja, aqueles Filipinos que devoravas do início ao fim quando eras mais novo – tudo isso vai ter maiores probabilidades de ir parar ao teu carrinho se tiveres fome.

Comprarias essas coisas se tivesses uma lista e se tivesses bem resolvido com o teu estômago? Claro que não.

Por isso mesmo, acho que ir às compras imediatamente a seguir ao almoço é uma excelente ideia: nessa altura até olhas de lado para os doces porque estás satisfeito.

Este problema também se aplica na loja online, afinal de contas meter os Filipinos no carrinho está só a distância de um clique, mesmo que saibas que não os irás ter já.

São 4€ aqui, 3€ acolá, que no fim podem traduzir-se em dezenas de euros só porque estavas com a larica. Não faz sentido nenhum abdicar desse dinheiro por causa de uma necessidade fisiológica temporária.

Um modelo mental que podes aproveitar

Como informático, adoro sistemas. E o meu sistema aqui passou a ser este: não penso em promoções, penso em decisões. Não penso em trazer aquele produto porque tem 50% de desconto, penso em trazer aquele produto porque preciso dele, quer esteja com 50%, 20% ou 0% de promoção. Eu registo todas as minhas despesas (recomendo-te a aplicação Wallet, se o queres fazer também), e tenho notado que este sistema ajudou-me a poupar dinheiro.


O que me escapou? Se tens mais dicas para evitar erros nas compras, deixa nos comentários. Estou sempre aberto à hipótese de poupar, e quem está a ler também!

Este artigo foi escrito originalmente a 24/05/2021 e reescrito a 22/01/2026, com o propósito de remover conteúdo que não sobreviveu ao teste do tempo. Trata-se de um esforço para garantir que o artigo possa ser útil hoje, para o mês que vem, e para daqui a 10 anos. Agradeço toda e qualquer contribuição na caixa de comentários e estou sempre disposto a torná-lo cada vez mais completo. Este conteúdo também é teu.


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