O combustível aditivado custa à volta de mais 12 cêntimos por litro (foi a diferença que vi na BP). Para pagar essa diferença, tinha de te fazer gastar menos 5,4% de combustível. Todos os dias, em todos os depósitos, sem exceção.
O único ensaio português que consegui encontrar testou quatro gasóleos e não encontrou diferença nenhuma. Nem no consumo, nem nos depósitos que se formam no motor.
Isto não fecha a discussão, e mais abaixo explico porquê. Mas põe a barra num sítio concreto, e ter a barra num sítio concreto é melhor do que ter opiniões.
A conta que decide isto
A regra é mais simples do que parece, e não envelhece:
O aditivado só compensa se reduzir o consumo, em percentagem, mais do que encarece o litro.
Com o simples a 2,091€ e o aditivado a 2,211€, o prémio é de 5,7% sobre o preço do simples. Como o combustível mais caro também se gasta, a conta certa é dividir o prémio pelo preço já com prémio, o que dá 5,4% de redução de consumo só para ficar empatado.
Num carro que faça 6 litros aos 100, isso significa passar a fazer 5,67. Não é uma melhoria subtil, é uma melhoria que se vê no computador de bordo.
E a tabela do prémio é útil para o dia em que a diferença de preço for outra:
| Diferença por litro | Redução de consumo para empatar |
|---|---|
| 5 cêntimos | 2,3% |
| 10 cêntimos | 4,6% |
| 15 cêntimos | 6,7% |
| 20 cêntimos | 8,7% |
Quanto é que isto custa por ano
A 15 000 km por ano, com esse consumo, gastas cerca de 900 litros. Aos 12 cêntimos de prémio, são 108€ por ano. Dez anos de carro dão 1 080€.
A 10 000 km são 72€ por ano, a 20 000 km são 144€.
Não é dinheiro que dê para mudar uma vida. É dinheiro suficiente para merecer uma decisão consciente em vez de um hábito.
Vem tudo do mesmo lado?
Quase, e a palavra “quase” é importante.
Em Portugal só existe uma refinaria em funcionamento, em Sines, gerida pela Petrogal, do grupo Galp. Mas nem todo o combustível vendido cá sai de lá. A ERSE explicou ao Polígrafo que “existem operadores no mercado português com acesso a infraestruturas próprias, as quais lhes permitem a importação de produtos refinados”.
Alexandre Marvão, responsável pela área de mobilidade na DECO Proteste, resume a dimensão disso: “nós consumimos maioritariamente combustível produzido em Portugal, nas refinarias portuguesas, por isso vem todo do mesmo lugar. Pode existir importação, mas é residual”.
Ou seja: a origem é essencialmente a mesma, e a ideia de que o combustível do hipermercado vem de um sítio pior não se sustenta. O que distingue os postos é o que fazem ao produto depois, e sobretudo a margem que lhe põem em cima, que é a única parcela do preço onde há concorrência.
O simples estraga o motor?
Não, e isto tem uma resposta de facto, não de opinião.
Todo o combustível vendido em Portugal tem de cumprir especificações definidas por lei, no Decreto-Lei nº 214-E/2015, que transpõe as normas europeias. Marvão diz que os combustíveis simples cumprem “garantidamente os requisitos de qualidade exigíveis”.
Luís Serrano, professor no curso de Engenharia Automóvel do Instituto Politécnico de Leiria, é ainda mais direto: “todo o combustível que existe em Portugal é controlado e tem de cumprir a norma portuguesa, seja o gasóleo ou a gasolina. Nenhum combustível vendido em Portugal é de má qualidade e vai estragar o carro”.
Vale a pena arrumar aqui uma confusão de vocabulário. “Simples” e “low cost” não querem dizer combustível pior. A ERSE define o simples como aquele que “não é sujeito a um processo de aditivação suplementar além do mínimo necessário ao cumprimento das respetivas especificações”.
Repara na palavra suplementar. O combustível simples já é aditivado. Tem exatamente os aditivos de que precisa para cumprir a norma. O aditivado leva mais alguns por cima disso, e é sobre esses que a discussão toda acontece.
O que diz o único ensaio
Em 2012, a DECO Proteste testou quatro gasóleos, low cost, regular e premium. Não encontrou diferenças significativas nem no consumo nem nos depósitos formados no motor.
E agora a parte em que tenho de ser sincero sobre a força disto.
O ensaio tem catorze anos. Os aditivos de hoje não são forçosamente os de 2012, e os motores também não. Um único estudo, com uma década e meia em cima, não é uma resposta definitiva sobre nada. Se alguém aparecer com um ensaio recente, independente e bem feito que mostre o contrário, é esse que passa a valer.
Mas repara no que isso implica. Quem defende o aditivado precisa de mostrar não só que faz alguma diferença, mas que faz mais de 5% de diferença no consumo. É uma barra alta, e nunca vi ninguém sequer tentar demonstrá-la com números.
Enquanto essa demonstração não existir, a hipótese mais razoável é a que a conta já dizia.
A taxa de descanso
Se metes aditivado porque te deixa mais descansado, está tudo bem. É a taxa de descanso, e essa taxa tem um valor.
A diferença é que agora sabes qual é: 108€ por ano, no exemplo acima. É perfeitamente legítimo pagar isso para não ficares a ruminar se o carro avariou por causa do combustível barato. Também é perfeitamente legítimo decidir que 108€ por ano é caro para uma tranquilidade que nenhum teste conseguiu justificar.
O que não faz sentido é pagar sem saber que se está a pagar.
E há uma comparação que vale a pena guardar: aqueles 108€ por ano estão dentro dos cêntimos de margem por litro. A forma como conduzes mexe nos litros inteiros, imposto incluído. É por isso que as técnicas de condução dão sempre mais do que a escolha do combustível.
Se metes aditivado, já experimentaste medir o consumo durante um mês inteiro com cada um?






Todo o combustível vendido em PT cumpre os requisitos dos fabricantes automóveis. No entanto pode-se adicionar ocasionalmente aditivo para manutenção do sistema de injeção, ajudando a manter o bom funcionamento do mesmo!
Seguem alguns exemplos:
Gasóleo: https://www.higicar.pt/aditivo-limpeza-injetores-diesel-50ml
Gasolina: https://www.higicar.pt/aditivo-limpeza-injetores-gasolina-50ml