Entrevista a Pedro Andersson, jornalista e formador na área de finanças pessoais

Venha ler a entrevista exclusiva a Pedro Andersson, do Contas-Poupança da SIC! Aprenda com o jornalista e formador sobre finanças pessoais, os maiores erros dos portugueses, como poupar, investir, gerir dívidas e a decisão entre comprar ou arrendar casa. Dicas práticas para a sua liberdade financeira.

Pedro Andersson

Quem é o Pedro Andersson?

Pedro Andersson é jornalista de profissão e formação, conhecido por milhares de portugueses como o rosto da rubrica Contas-Poupança, emitida semanalmente na SIC. Ao longo de mais de 15 anos, tem-se dedicado a explicar de forma clara e prática temas como finanças pessoais, impostos, seguros, banca e consumo — sempre com o objetivo de ajudar os cidadãos a tomarem melhores decisões no seu dia a dia.

A sua paixão pela comunicação começou ainda na adolescência, aos 16 anos, numa rádio local da Covilhã. Estudou Comunicação Social na Universidade da Beira Interior e iniciou a sua carreira na Rádio Clube da Covilhã. Estagiou depois na TSF, onde acabou por ser contratado mesmo antes de terminar o curso. Trabalhou cinco anos na estação até ser convidado a integrar a equipa fundadora da SIC Notícias, mantendo-se desde então ligado ao canal como repórter e coordenador.

O projeto Contas-Poupança surgiu dessa vontade de criar jornalismo útil e acionável. Através de reportagens, artigos e vídeos — tanto na televisão como no seu site e podcast — o Pedro Andersson partilha estratégias e soluções reais para resolver problemas comuns dos consumidores. A sua abordagem direta, transparente e livre de patrocínios tem conquistado a confiança de milhares de leitores, ouvintes e telespectadores em todo o país.

É também autor de livros sobre literacia financeira, nos quais compila conselhos práticos sobre poupança, orçamento familiar, renegociação de créditos e muito mais. A sua missão, como o próprio afirma, é “melhorar um pouco a nossa vida financeira”, fazendo do jornalismo uma ferramenta de empoderamento e cidadania.

Com mais de 250 mil seguidores no Instagram e sistematicamente no top de rankings de Podcasts em Portugal, as dicas de poupança do Pedro Andersson chegam a uma enorme fatia dos portugueses, mas existem sempre mais pessoas a quem pode alcançar. Esse foi um dos motivos do meu convite para uma entrevista ao Poupa Pilim.

Nesta entrevista exclusiva, o Pedro Andersson partilha o momento pessoal que o despertou para a importância das finanças pessoais — uma crise vivida em 2008 que o levou a renegociar contratos, poupar milhares de euros e, mais tarde, a criar o Contas-Poupança. Fala-nos dos erros financeiros mais comuns dos portugueses, da mentalidade de “depois logo se vê”, e do enorme impacto que pequenas decisões conscientes podem ter no orçamento familiar. Reflete ainda sobre liberdade financeira, o peso das dívidas, e oferece conselhos claros para quem está indeciso entre comprar ou arrendar casa e para quem quer dar os primeiros passos no mundo dos investimentos. Uma conversa transparente, prática e com o objetivo que o move desde o início: ajudar os portugueses a tomarem decisões financeiras mais informadas e a conquistarem maior autonomia.

No final da entrevista terá também acesso a links para todos os livros, podcast e redes sociais do Pedro Andersson.

Agora, relaxe e desfrute desta entrevista incrível.

Entrevista

Micael Vinhas – O que o levou a focar-se no tema das finanças pessoais e da literacia financeira? Houve algum momento ou experiência que tenha sido um gatilho para essa escolha?

Pedro Andersson – Sim, houve um momento muito concreto que obrigou a abrir os olhos. Durante muitos anos vivi com o que hoje chamo de “felicidade da ignorância”. Era jornalista na TSF, fazia o que gostava, ganhava bem, a minha mulher também tinha um bom salário como formadora, e sentíamo-nos realizados. Não tínhamos filhos na altura, estávamos a viver o sonho: jovens, empregados, felizes e, achávamos nós, financeiramente estáveis. Mas não poupávamos um cêntimo. Não por irresponsabilidade — era mesmo por desconhecimento. Nunca ninguém me ensinou a poupar, a pensar no futuro ou a questionar os contratos que assinava. Simplesmente achava que tudo ia sempre correr bem, e que se ganhava X por mês, podia gastar X, porque no mês seguinte entrava outro ordenado. Depois, fui convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. O meu salário aumentou e continuava feliz na minha “ignorância”.

O verdadeiro choque aconteceu em 2008, com a crise financeira. De um mês para o outro, a Euribor disparou, e a prestação do crédito à habitação subiu de forma drástica. Foi aí que percebi que andava a viver no fio da navalha. Não tinha fundo de emergência, não tinha qualquer margem de manobra. Fiz algo que nunca tinha feito: fui ao banco pedir ajuda. E com isso aumentaram-me o prazo do crédito. Passei de 40 para 42 anos de empréstimo. A ideia de pagar casa até aos 82 anos pareceu-me aceitável na altura, porque o mais importante era sobreviver financeiramente naquele momento.

Essa crise pessoal foi o meu gatilho. Quando me sentei com a minha mulher para perceber para onde ia o nosso dinheiro, fiquei chocado. Estávamos a desperdiçar centenas de euros por ano por pura desatenção: contratos mal feitos, seguros caros, tarifas de eletricidade desajustadas, telecomunicações que não usávamos. Comecei a renegociar tudo, uma coisa de cada vez, com método. No final de um ano, sem fazer grandes sacrifícios, poupámos cerca de 3.000 euros. Com os mesmos serviços, ou até melhores.

Foi aí que senti que tinha de partilhar aquilo com os outros. Pensei: “Se eu, jornalista, com acesso à informação, não sabia nada disto, como estarão os outros?” Propus ao meu diretor fazer reportagens semanais com dicas práticas de poupança. E assim nasceu o Contas-Poupança. De forma muito natural, quase por necessidade, e não como projeto idealizado. Foi mesmo uma consequência direta de uma crise pessoal que me fez acordar.


Micael Vinhas – Na sua experiência, qual considera ser o maior erro financeiro que os portugueses continuam a cometer?

Pedro Andersson – Sem dúvida, o maior erro é viverem apenas para o presente, sem qualquer tipo de planeamento financeiro. Aquela mentalidade muito portuguesa de “depois logo se vê”. É cultural. Crescemos a acreditar que o Estado estará sempre lá, que os pais ou os avós podem ajudar, que as coisas se resolvem de alguma forma. E enquanto tudo corre bem, essa ilusão mantém-se. Só que basta um imprevisto — uma doença, desemprego, a subida de uma taxa — para tudo ruir como um castelo de cartas.

Outro erro gravíssimo é a ignorância generalizada sobre os nossos direitos. As pessoas não sabem que podem mudar de banco, que podem negociar seguros, que têm apoios disponíveis se tiverem uma incapacidade, que podem recuperar IRS de anos anteriores, ou até que certos créditos podem ser renegociados ou transferidos. Este desconhecimento custa milhares de euros às famílias portuguesas todos os anos.

E é um ciclo: como ninguém ensina estas coisas — nem a escola, nem a família, nem o Estado — perpetua-se uma relação passiva com o dinheiro. As pessoas acham que o dinheiro serve para pagar contas e pronto. Trabalham o mês inteiro só para o ver desaparecer em dias. Falta estratégia, falta visão de futuro. E não é por culpa das pessoas. É mesmo por falta de formação e de ferramentas para pensar o dinheiro de outra forma.


Micael Vinhas – Das inúmeras dicas que já partilhou ao longo dos anos, consegue identificar aquela que teve maior impacto junto do público?

Pedro Andersson – Sim. Há algumas que são verdadeiramente transformadoras. Uma das que mais me marcou, e que tem tido impacto repetido ao longo dos anos, é a questão do seguro de vida associado ao crédito à habitação. Muita gente não fazia ideia de que, em caso de doença grave ou invalidez, o seguro pode liquidar a totalidade do empréstimo. Recebi dezenas de mensagens de pessoas que, por causa de uma reportagem minha, foram rever os contratos e perceberam que tinham direito à cobertura. Em situações muito delicadas — como doenças oncológicas, por exemplo — conseguiram libertar-se da prestação da casa. E isso muda vidas. Literalmente.

Outra dica com impacto gigante foi mostrar às pessoas que é possível renegociar tudo: a prestação da casa, luz, gás, seguros, telecomunicações. Só esse exercício de parar, olhar para as contas, comparar e ligar para renegociar, pode resultar em centenas ou milhares de euros de poupança por ano. E não estou a falar de abdicar de nada — em muitos casos, as pessoas ficam com melhores serviços por menos dinheiro.

Mas acima de tudo, o maior impacto é quando as pessoas me dizem: “Pedro, comecei finalmente a olhar para o meu dinheiro com outros olhos.” Isso, para mim, vale mais do que qualquer dica. Porque é uma mudança de atitude que vai ter reflexos para a vida toda.


Micael Vinhas – Depois de tantos anos a investigar e a partilhar estratégias de poupança, houve alguma lição sobre dinheiro que tenha mudado completamente a sua forma de pensar?

Pedro Andersson – Houve várias, mas uma das mais importantes foi perceber que as dívidas são uma prisão — silenciosa, mas muito eficaz. É o que chamo de “prisão domiciliária financeira”. Durante muitos anos achei normal ter um crédito da casa, e que pagar todos os meses até à velhice fazia parte da vida adulta. Hoje penso o contrário. Ter a casa paga é um dos maiores atos de liberdade financeira que alguém pode ter. Por isso, comecei a amortizar antecipadamente o meu crédito, com o objetivo de o terminar o mais cedo possível.

Outra grande lição foi perceber que investir não é um luxo, nem é só para quem tem muito dinheiro. Aprendi a olhar para o investimento como uma forma de proteger o meu trabalho — de fazer com que o dinheiro que ganho também trabalhe por mim. Não se trata de enriquecer rapidamente, mas sim de criar segurança a médio e longo prazo.

Mas talvez a mudança mais profunda tenha sido esta: percebi que o dinheiro, quando bem gerido, dá liberdade. Não se trata apenas de comprar coisas. Trata-se de poder escolher. Escolher trabalhar menos, mudar de vida, ajudar a família, ou simplesmente dormir descansado.


Micael Vinhas – Quando se trata da decisão entre comprar ou arrendar casa, quais considera serem os fatores mais importantes a ponderar antes de optar por uma destas soluções?

Pedro Andersson – Durante muito tempo, a narrativa dominante em Portugal foi: “Mais vale comprar do que estar a deitar dinheiro fora a pagar renda.” E eu próprio cresci com essa ideia. Mas hoje vejo as coisas de outra maneira.

Comprar casa pode ser uma excelente decisão se houver estabilidade — profissional, pessoal e financeira. É um investimento que, bem feito, pode dar segurança para o futuro. Mas também é um compromisso enorme. Um crédito a 30 ou 40 anos é uma espécie de casamento financeiro com o banco, e isso tem consequências.

Arrendar, por outro lado, pode ser uma escolha inteligente em certas fases da vida. Dá flexibilidade, permite mudar de cidade ou de país com mais facilidade, e obriga a menos encargos iniciais. Mas não há acumulação de património.

O que é essencial é fazer contas. Não apenas comparar prestações com rendas, mas considerar todos os custos: impostos, seguros, manutenção, taxas, juros. E mais importante ainda: perceber se aquele compromisso financeiro nos deixa margem para viver. Porque não vale a pena ter casa própria se depois não conseguimos pagar um jantar fora ou umas férias com os filhos. Esse é um dos erros mais comuns dos portugueses: comprarem uma casa muito cedo, acima das suas possibilidades financeiras. A primeira casa tem de ser logo a casa dos seus sonhos. O que acontece muitas vezes é que a casa dos sonhos torna-se rapidamente um pesadelo para a vida inteira porque deixa de sobrar dinheiro para serem felizes durante décadas.


Micael Vinhas – Para quem quer dar os primeiros passos no mundo dos investimentos, por onde deve começar?

Pedro Andersson – Começa-se por aprender. Não há volta a dar. Ninguém deve investir um euro sem perceber onde está a meter-se. Felizmente, hoje há muito conteúdo acessível: livros, vídeos, podcasts — e tudo gratuito. O primeiro passo é mesmo dedicar tempo a perceber o que é o fundo de emergência, os juros compostos, o que é o risco, a diferença entre ações e obrigações, o que são ETFs, como funcionam os impostos sobre os rendimentos de capitais, e por aí fora.

Depois, é fundamental ter o básico resolvido: fundo de emergência feito, dívidas controladas, orçamento equilibrado. Aconselho as pessoas a lerem o meu livro “Ganhar dinheiro” com os 5 passos fundamentais para que tudo corra bem à primeira. Só a seguir é que faz sentido pensar em investir.
E mesmo aí, deve-se começar com pouco. Eu gosto da ideia de começar com 100 euros, só para ganhar confiança e perceber como funciona. Os ETFs são uma boa porta de entrada: produtos simples, diversificados, com custos baixos. Mas não é receita para todos. Cada pessoa tem o seu perfil e os seus objetivos.

Acima de tudo, não se trata de “ficar rico”. Trata-se de proteger o futuro, criar alternativas, ganhar autonomia. E isso só se consegue com conhecimento. Por isso, o meu conselho é este: antes de investir dinheiro, investe em conhecimento. Dá muito mais retorno.

Conclusão e links úteis

Sendo eu um apaixonado por poupança e investimentos, esta entrevista representa, para mim, o ponto mais alto desde a criação do Poupa Pilim. Foram pessoas como o Pedro Andersson que me motivaram a otimizar os meus gastos e a diversificar fontes de rendimento, que invariavelmente resultaram na criação deste blogue de lifestyle e poupança.

Ao fim de 4 anos de experiência como blogger, já partilhei várias dicas de poupança que apliquei na minha vida, assim como entrevistas a outras personalidades ligadas às finanças, e claro, artigos que de alguma forma nos ajudem a poupar, como previsões do preço dos combustíveis, ou folhetos promocionais.

Em todas as publicações coloco um propósito em mente: o artigo tem de gerar atenção para oportunidades de poupança. Pode até ser uma breve alteração de lei proposta pelo Governo, ou um previsto aumento da gasolina em 2 cêntimos. Acredito que todos os cêntimos, ao fim de algum tempo, tem um impacto brutal nas nossas vidas.

Espero que esta entrevista lhe tenha sido útil, e que tenha (re)descoberto algumas dicas que o podem ajudar a poupar já hoje. Essa é a missão do Pedro Andersson, e a minha também.

Partilhe nos comentários o que achou, e o que mais gostaria de ter lido nesta entrevista. Quem sabe, possamos colaborar para uma parte dois.

Links úteis

Website

Redes sociais

Podcast

Livros (ordem cronológica)

  • Contas-Poupança (2016) (Wook | Bertrand)
  • Contas-Poupança – Poupe ainda Mais, Invista Melhor (2018) (Wook | Bertrand)
  • Contas-Poupança – Vença a Crise com Inteligência e Aprenda Tudo sobre os seus Direitos (2020) (Wook | Bertrand)
  • Contas-Poupança – Como superar a inflação e ganhar com a crise (2022) (Wook | Bertrand)
  • Ganhar Dinheiro (2023) (Wook | Bertrand)
  • Começa Já! (2024) (Wook | Bertrand)

4 comentários no “Entrevista a Pedro Andersson, jornalista e formador na área de finanças pessoais”

  1. João Cercal

    Obrigado por partilhar a entrevista, Micael. Ao longo da minha jornada, também aprendi muito — e um dos maiores aprendizados foi não subestimar as coisas mais simples, como poupar alguns cêntimos. No fundo, não se trata dos cêntimos em si, mas da mentalidade por trás disso.

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