Deixar de fumar, o meu primeiro grande passo rumo à poupança. Vê como também o podes fazer

Já fizeste as contas ao que poupas por deixar de fumar, mas falta-te o mais importante: conseguir. Vê como consegui em 2014, em 7 passos facilmente acionáveis.

Como Deixar De Fumar

Em 2014, apaguei o meu último cigarro. Tinha fumado durante 8 anos e, até hoje, nunca mais. Frequentemente, amigos e conhecidos perguntam-me: “Como é que conseguiste?”. A resposta nunca é simples, mas ao longo do tempo percebi que não foi um ato de força de vontade sobre-humana, mas sim um conjunto de pequenas regras e mudanças de mentalidade que, juntas, tornaram o impossível possível.

Neste artigo, não há nada de científico: é apenas de experiência pessoal. Adotei um conjunto de medidas que tornaram a abstinência um ato resiliente e fácil de manter. Ao fim de pouco tempo, a ideia de pegar num cigarro tornou-se totalmente abjeta na minha cabeça, e para tal nem tive de ser exposto a grandes motivações externas.

1. Comecei por visualizar a minha vida sem tabaco (a minha grande motivação)

visualizar beneficio

Antes de qualquer outra coisa, sentei-me e perguntei-me: “O que é que eu ganho realmente se deixar de fumar?”. Para mim, a resposta era tripla: saúde, dinheiro e parar de inventar desculpas.

Saúde porque iria deixar de sujeitar o meu corpo a substâncias químicas sem qualquer valor acrescentado. Este foi o mais simples de compreender.

Dinheiro porque na altura gastava 80€ por mês em tabaco. Ao fim de um ano, 960€. Inverti o pensamento e comecei a imaginar que fui aumentado em 80€ líquidos. Quantos de vocês conseguem esse aumento ao fim de um ano?

Parar de inventar desculpas porque, a) ou faltava dinheiro para fazer coisas com amigos e família, ou b) porque dizia que tinha de ir aquele sítio quando na verdade só queria fumar, mas não queria fazê-lo em frente a determinadas pessoas.

Visto agora, alguns comportamentos dão para rir, mas na altura eram bem reais e nem sempre é fácil nos aperceber que parecemos uns miúdos só para alimentar o vício.

2. A minha regra de ouro: não troquei um vício por outro

Em 2014 o tabaco aquecido ainda não era uma cena. Ou se calhar até era, mas falava-se mais de tabaco de enrolar. De qualquer forma, nunca pensei em transitar de um vício para outro, por exemplo, de pastilhas elásticas. A ideia é remover o hábito, não transferi-lo para outra coisa qualquer que teremos de remover no futuro.

Sobre o tabaco aquecido: não existe benefício nenhum. Fazer menos mal que o tabaco convencional não é elogio nenhum, é só o mesmo que dizer que é mau mas ligeiramente menos mau. Não queres passar do horrível para o medíocre, queres apenas remover o horrível, ponto.

3. Preparei-me para ser enganado… por mim mesmo

O nosso cérebro é uma máquina de sobrevivência e, para ele, a nicotina era uma necessidade. Nas primeiras semanas, a minha mente tornou-se o meu pior inimigo.

Por essa razão, criei um contra-argumento simples. Em vez de dizer “Nunca mais vou fumar na vida” (o que é assustador e parece impossível), o meu mantra era apenas: “Hoje não fumo”. Para mim, só interessava o dia de hoje. O amanhã logo se veria. Este pequeno truque mental tirou um peso imenso dos meus ombros.

4. Usei uma “arma secreta”: o medo de desapontar alguém

desabafar

A força de vontade é finita. A responsabilidade perante alguém que amamos é quase infinita.

Eu fui de cabeça aqui: liguei à minha mãe. Não há pessoa que mais odiasse desapontar na vida. Quando aquela chamada terminou, um contrato ficou celebrado na minha cabeça: não se falha à palavra com a mãe.

Dos 7 passos que menciono aqui, é provavelmente o mais poderoso.

Há quem recomende anunciar nas redes sociais, podes experimentar. Mas atenção que as redes sociais são um centro de aprovação, e se ninguém quiser saber do teu anúncio (ou as pessoas “certas” não reagirem), isso pode ser contraproducente e aumentar a tua tristeza, o que invariavelmente te leva a fumar novamente.

Conta à pessoa mais importante da tua vida apenas, aquela que não podes mesmo desapontar. Eu sei que é difícil, e se calhar essa pessoa nem sabe que fumas, mas não existe nada de negativo que possa sair dessa conversa. Na pior das hipóteses, ela não sabe, vai ficar triste, mas depois vai ficar orgulhosa da confissão.

5. Tornei a minha vitória visível e palpável

Deixar de fumar pode parecer uma jornada de sacrifício. Eu decidi transformá-la numa jornada de recompensas visíveis.

Fiz as contas e gastava 2,50€ por dia em tabaco. Então peguei num caderno e todos os dias escrevia o novo valor poupado (2,50€, 5€, 7,50€…). Fi-lo enquanto achei necessário, e depois pensei numa coisa que quisesse mesmo ter e comprei-a. Na altura, foi um PC portátil novo. Sempre que olhava para o portátil, via-o como resultado de ter deixado de fumar. De outra forma não o poderia comprar.

6. Aceitei que podia engordar um pouco (e lidei com isso)

Não é um mito que se engorda ao deixar de fumar. Perdes muitos minutos do teu dia a fumar, e depois de deixares esse tempo fica livre para coisas que nem sabes bem o que fazer.

Atacar a despensa é uma delas, e é normal. Precisas de te regular nos primeiros dias, eu nem me preocuparia muito em combater isso. Depois, com naturalidade, chegará o tempo em que começas a ter mais cuidado com a alimentação, e a preencher esses tempos livres de outra forma.

Regista o teu peso todas as semanas para teres uma representação visual do caminho que estás a seguir, talvez isso te ajude a parar de engordar. Mas isso é tema para outro post no futuro.

7. Abracei a minha nova identidade de “não-fumador”

A mudança mais profunda foi mental. Deixei de me ver como um “fumador em abstinência” e passei a ver-me como um “não-fumador”.

Em vez de pensar no “stress de não fumar”, pensava no prazer de respirar fundo, de saborear melhor a comida, de ter mais energia. Lembrei-me de que a maioria das pessoas no mundo não fuma e vive perfeitamente bem. Se elas conseguiam, porque não eu?

Acredita: se eu, que fumei durante 8 anos, consegui, tu também consegues. A jornada de um dia de cada vez transforma-se numa vida inteira de liberdade, saúde e, claro, muita poupança. É tudo positivo daqui para a frente.

Começa assim: hoje não fumas mais, amanhã vais contar à pessoa mais importante da tua vida. E também não fumas amanhã. No outro dia já não consegues fumar, já estás comprometido.

Este artigo foi escrito originalmente a 19/07/2022 e reescrito em 2026, com o propósito de reestruturar um pouco o conteúdo. Felizmente, tudo o que foi dito acima continua a ser verdade.


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